quinta-feira, 23 de julho de 2009

Imigração em Montréal - História das Comunidades Culturais II

Chineses – As leis racistas

Uma outra comunidade que pode ser associada às péssimas condições de trabalho em construções no final do século XIX é a de chineses, mais precisamente cantoneses que fugiam da fome em seu país. No início foram utilizados em minas na Califórnia, durante a corrida do ouro. Acabaram sendo contratados no Canadá com baixíssimos salários em construção e manutenção da estrada de ferro transcontinental que era a condição de adesão das províncias do Oeste à confederação canadense.
Com o fim dos trabalhos, o governo canadense promulga leis de controle a imigração chinesa. A partir de 1885 exige-se uma taxa de 50$ para todo chinês que deseja entrar no país, esse valor aumenta gradativamente até 1903 para 500$. Essas leis e taxas dificultaram a reunificação de famílias até 1930. A revogação dessas leis se deu em duas partes, uma em 1949 e outra em 1967.
Lutando sempre contra o racismo, os ex-trabalhadores das estradas de ferro abrem pequenos comércios como mercearias (dépanneurs) e restaurantes e se relacionam em comunidades fechadas. Hoje em dia, o isolamento diminuiu bastante e os chineses ocupam cargos em vários setores econômicos e sociais.

Uma Europa Sacudida

Lá pelos anos de 1880, Montréal entra em uma fase de desenvolvimento maunufaturista e comercial sem precedentes. A rua Saint-Laurent apelidada “A Principal” se expande com a chegada de uma nova onda de imigrantes vindos da Europa central e leste europeu: Rússia, Alemanha, Polônia, Ucrânia, Romênia, Hungria, Tchecoslováquia, Croácia, Eslovênia, etc. Tudo ao longo do século XIX fugindo dos sobressaltos políticos e econômicos que geraram guerras e fome.
Uma parte importante dos que chegaram foi a comunidade judaica desses países, conhecidos como Ashkenazes. Perseguidos na Europa, eles imigram para Montréal entre 1870 e 1880, com um novo fluxo após a 2ª guerra e o genocídio perpetrado pela Alemanha nazista.
Ao chegarem, muitos começaram atividades comerciais fundando pequenas empresas e outros se enveredaram pelo caminho das artes, literatura e ações sócio-políticas. Deram início, na primeira metade do século XX, à atividades sindicais e organizações políticas de esquerda.
Nos anos de 1960 uma nova safra, dessa vez de judeus Sefarades originais do norte da África, se instala no Québec.

Italianos, Gregos e Portugueses – Um gostinho mediterrâneo

Nos anos de 1940, os ateliês de confecções de roupas eram conhecidos como “Inferno dos Trapos”, devida às péssimas condições de trabalho. Empregavam as québecoises francófonas e judias do leste europeu.
Ao passar dos anos, estes ateliês eram passagem quase que obrigatória para trabalhadoras ainda mais as recém-chegadas do pós-guerra, no caso as italianas, gregas e portuguesas.
Italianos e gregos já haviam começado a imigrar na virada do século, os primeiros trabalharam na construção de estradas de ferro e os outros como mão de obra barata em hotéis e restaurantes.
Uma segunda e grande onda veio em 1945 elevar o ranquing de importância dessas comunidades para 3º e 4º lugares respectivamente. Os recém-chegados vinham sobretudo do meio rural e trabalhavam em manufaturas, serviços e na construção.
Após anos de trabalho os Ítalo e Greco-québecois ocupam vários domínios de atividades especialmente e felizmente a gastronomia!
Quanto aos portugueses, começam a chegar a partir de 1960 fugindo do regime ditatorial de Salazar. Na mesma época, Portugal tenta impedir a independência de Angola e Moçambique. Assim, Montréal recebe dois grupos independentes: Jovens que se recusaram a lutar contra as colônias e os antigos colonos que viviam na África. Uma outra onda veio em 1970 formada por ruralistas fugindo da pobreza.
Quem se interessou por essas informações, pode ler o estudo na íntegra inclusive com passagens históricas, está em francês no site da Bibliothèque Virtuelle.
Espero ter ajudado um pouco na pesquisa de vocês... Conhecimento nunca é demais, sempre que puder, esqueçam a tv e leiam um livro! Sei que é difícil, eu digo isso pois para mim é um sacrifício enorme, mas estou tentando superar essa barreira. Aqui e em outros países notei como as pessoas lêem. No metrô, ônibus, em praças e parques... E são de todas as idades! Infelizmente esse hábito não é incentivado no Brasil...
À Bientôt!

4 comentários:

Bea disse...

Olá!!

Tenho lido os posts em que vc fala sobre a história da imigração em Montréal e achei muito bacana!

Textos leves, bem claros e super interessantes!

Obrigada por dividir isso no blog!

Abraços, Bia.

P disse...

amei esses posts históricos. nossa nova terra lembra muito o brasil, quanto aos fluxos migratórios. e é muito bom conhecer, de maneira condensada e de fácil acesso, esse aspecto do québec.

[]s
p

* Serena * disse...

Os textos estão ótimos!!! adorei, Lufa, de verdade =D É sempre bom saber história, de imigrantes mesmo, pois eles foram quem nos fizeram (afinal quem é neto de italiano, como eu, sabe o que é isso) e nós que faremos o que será o Canadá um dia =D E viva a globalização!

Anotei aqui, e já vou procurar mais sobre. Quero colher frutas ai tb!!!

Abraços,

Dani

Luciana disse...

Très bien!!!

Adorei o teme e já estou pesquisando!!

Abraços

Lu